A CAMINHO DE CASA
Desço do ônibus para dar início a um novo dia, comum para muitos. Curvo um beco e começo a descer os degraus da escada, me recordo rapidamente de quando pisei aqui pela primeira vez, a irregularidade das casas, a sua aparência que a princípio me causou medo, era muito distante do que um dia pensei vivenciar.
Não faz muito tempo que aqui cheguei, porém reparo detalhadamente em algumas mudanças. Muitas construções novas, casas que cada vez mais aumentam de tamanho, diversos terrenos agora habitados e ruas de pedra que cada vez mais se estreitam.
Suspiro fundo, cheguei ao último degrau, minha casa já pode ser vista. A tranquilidade que sinto nesse local de tantos relatos negativos é inesperada e me faz concluir que aqui não é tudo o que um dia me descreveram, é simplesmente o que é.
Todo dia é dia de refletir sobre a vida… Numa manhã ensolarada, eu, deitada em minha cama, olho para o teto do meu quarto e começo a pensar sobre o bairro onde vivo. Pretendo escrever algo que faça o ser humano refletir sobre a vida.
Vem em meu pensamento uma história que meu tio contou sobre o bairro, um relato de extrema miséria aqui, desperto do transe e resolvo sair para passear, em passos pequenos sigo meu caminho.
Observo mais o local por onde eu estou passando e uma cena chama minha atenção, uma senhora em prantos conversa com uma moça, reparo mais e posso ver a moça colocando em sacolas vários tipos de alimentos, chego um pouco mais perto e posso ver a moça dando também um trocado à senhora, rapidamente passa um flashback em minha cabeça, lembro sobre o relato do meu tio, um relato que não me parece tão distante.
Passei a acreditar que ainda podem existir pessoas com o coração bom, como por exemplo Dona Ilda, que ajuda as famílias doando cestas básicas, talvez eu seja essa moça amanhã.
“Aqui o sol não brilha para todos, mas tem sempre alguém disposto a compartilhar a própria luz “.
1° de Agosto. 6:12 da manhã. Eu observava o sol nascendo. Pessoas saindo pra trabalhar. Aliás, muito deferente de antes, quando não tinha ônibus nem escola. Estava com pressa para ir à escola. Até porque estava tendo uma oportunidade que minha avó não teve e tinha que aproveitar.
Parei por alguns minutos para observar. Havia muitas pessoas conversando sobre umas construções aqui perto. E muitos que já moravam ali começaram a reclamar, xingar. Continuei atenta. A Dona Maria parecia indignada.
Então me lembrei de uma história que minha avó havia me contado. Que o Palmital era uma grande fazenda e as casas eram todas aquelas casinhas da Cohab, eram invadidas e minha avó mesmo havia invadido uma dessas casas.
E toda aquela conversa me pareceu contraditória.
Então deixei eles lá com suas preocupações.
Opa! É 7:15.

Era fim de tarde, o sol estava indo descansar, e nas ruas do bairro o perigo da noite vinha chegando e o movimento de pessoas ia diminuindo.
Uma garota caminhava, olhava para os lados, o medo e aflição tomavam conta do seu coração, ela para.
E olhando para frente se depara com um beco, neste havia um homem, eles se entreolham, como se já tivessem se visto antes, um certo silêncio toma conta do local, de repente um pássaro passa voando e atravessa aquele beco livremente.
Ela ainda parada pensou e tomou o caminho oposto daquele
Pássaro.
Seria a liberdade real para todos?
Aconteceu, mais uma vez.
Levantei cedo, me vesti com as minhas melhores roupas, tomei meu café, comi o que tinha, fui atrás de algo melhor.
Era uma entrevista de emprego, eu esperava na fila para ser entrevistado por alguém que sequer me conhecia, minhas mãos estavam trêmulas e úmidas, fiquei esperando que chegasse a minha vez, chamaram um, chamaram outro, então me chamaram, eu entrei na sala e com um aperto de mão cumprimentei o homem que me entrevistaria, me sentei, por um rápido instante o encarei, era uma sala simples, toda branca, em cima da mesa havia uma caneta e um bloco de papel rabiscado.
Então começou, algumas perguntas leves, nada demais, no meio delas uma esperada, mas eu não sabia o que responder. Onde você mora? Moro no conjunto habitacional Palmital, minha voz estava trêmula, percebi que o entrevistador havia franzido a testa, ele anotou algo no bloco, e não disse mais nada, além de que a entrevista havia terminado.
No caminho pra casa, comecei a perceber as coisas, como realmente são, uma família que doa alimentos para os mais necessitados, tudo o que acontece aqui, trocado pela imagem de uma área conflagrada, área que só oferece medo, nada mais, e a realidade que só nós sabemos? A realidade alternativa da favela, uma realidade desconhecida por muitos que apenas quem tá aqui, dentro de tudo, no meio do olho do furacão, pode ver. Percebi que talvez não valeria a pena, eu já tinha passado muito por isso, era só mais uma vez e certamente não seria a última.
Sento no banquinho e começar a pensar como escreveria minha primeira crônica.
Sinto em mim sentimentos de paz e de preocupação.
Veio em mim uma lembrança, como se fosse “A última crônica”. Olho para o lado, tranquilo.
Vai subindo o morro uma senhora de idade, vestimentas simples, chinelo nos pés, cabelos brancos, amarrados por uma buchinha preta, em suas mãos sacolas de frutas, olhar arredio, tímido, deixa as sacolas no chão, cansativa e exaustiva caminhada.
Uma criança machucada, mal vestida, para, olha discretamente para ela, olhar penetrante e reflexivo, pergunta:
– Gostaria que ajudasse?
A senhora entregar as compras em suas mãos e elas começam a subir o morro, durante o percurso um e outro olhar discretamente.
A senhora agradece com um doce, a criança sai saltando de alegria por seu primeiro alimento no dia, chegando ao local – pracinha da Savassi, divide o seu doce com amigos.
Assim eu queria minha primeira crônica – pura e bela como esse olhar.
Na espera do ônibus algo chama minha atenção. Parei para olhar, vi um senhor, apavorado, com os dois homens “perueiros”.
Discutindo eles disputavam quem levaria o senhor até seu destino.
São aqueles perueiros que perante a lei estão trabalhando ilegalmente, mas é esse trabalho ilegal que coloca o pão de cada dia na mesa deles.
No mesmo instante o transporte público chega para pegar os passageiros, e o senhor, sem que ninguém percebesse, entrou no ônibus, já não tinha mais coragem de ir com eles. O trabalho continua.
Em uma tarde qualquer de semana, os raios calorosos do Astro Rei infestavam o clima limpo de mais um dia desperdiçado com atos fúteis. Meu corpo se repousava sobre o frio banco de concreto da pouca movimentada praça. Toda minha atenção era tomada pela intrigante e longa história do livro aos poucos lido, meus olhos gravavam com atenção cada palavra visualizada, enquanto minha fértil imaginação moldava o cenário. Após o tempo voar, finalizo minha leitura, o protagonista cumpre com êxito sua Jornada Do Herói, encerrando o último verso com uma frase que abalou as estruturas da minha mente.
Me paraliso sem motivo, meu centro de comando concentra seus esforços para decifrar o enigma criado por ele mesmo. Meus olhos pareciam câmeras, gravando e analisando o cenário ao meu redor: A vida ocorrendo de forma insignificantemente feliz, onde pessoas julgadas como descartáveis são largadas à própria sorte, vivendo entre violência, desigualdade e preconceito, tendo como resultado o que foi plantado: violência, desigualdade e preconceito.
Meu centro de comando aos poucos une as peças do enigma, parecia perto de decifrá-lo, mas, impedindo-me de cumprir meu objetivo, se iniciou. A luta dos projéteis que voavam sem rumo para destruir tudo em seu caminho tomou conta do local, como se uma orquestra de projéteis fosse iniciada. Meu corpo se move sem meu consentimento, corro com desespero em busca de segurança, enquanto a orquestra parecia longe do fim. Sem motivo aparente – talvez curiosidade –, olho para trás, gravando a cena na memória: Dois jovens maestros, trajados como músicos do crime, lutavam pelo controle da orquestra de projéteis. Viro meu rosto e sigo meu trajeto de medo e desespero, bom, parece que terei que adiar minha conclusão.
6:30 da manhã do dia 8 de agosto de 2018, estou me arrumando para ir para a aula, paro em frente a janela do meu quarto e vejo essa vista do bairro Palmital, a essa hora aproximadamente muitas pessoas estão indo trabalhar ou estudar. Desço o morro e vejo um velhinho indo para a padaria conversando com uma senhora, passo do lado dele e algo que ele fala me chama atenção “olha, Maria, aquelas crianças indo para a escola, lembro que há uns anos isso talvez não acontecesse…”
Acabo de ouvir isso e fico pensando em como era aqui antigamente, e vem em minha cabeça uma lembrança, não muito boa. Eu tinha uns 10 ou 11 anos, estava estudando no 5°ano, já estava no finalzinho da aula, quando noto as lojinhas na frente da escola fechando antes da hora, achei estranho, mas, tudo bem. Após um tempo, escuto umas conversas lá embaixo, vou na janela e vejo um carro de polícia e uns caras armados indo para atrás da escola, e logo em seguida os polícias indo atrás deles. Nessa hora a professora colocou todas as crianças em um canto da sala que não dava para ver lá fora. Depois de um tempo liberaram a sala toda.
Relembrando isso, vi o quanto aqui era triste, as pessoas não tinham paz, muito menos as crianças. Estou a caminho da escola e me pego em outro mundo por causa dos meus pensamentos e me perguntando: e se continuasse daquele jeito? Como estaria o bairro? Como ele seria visto pelas pessoas de fora? Estou definitivamente perdida em meus longos pensamentos, quando o sinal bate, vejo que estou atrasada e rapidamente volto para a Terra. Passo do portão da escola e vejo duas crianças brincando no pátio, alegria e paz, as palavras que descreveriam o momento. Talvez a cena dessas crianças brincando livres no pátio seja o significado de paz.
Na volta para casa, desci do ônibus e houve um movimento estranho, pessoas andando na direção de suas casas com um semblante de desespero.
Me sentia paralisada enquanto tudo acontecia, e me conscientizei de que era algo mais assustador do que ver pessoas correndo na direção de um abrigo.
De repente sinto um alvo em minhas costas e um cano nos meus olhos. Tudo muito rápido, eu com o coração a mil, só queria que aquilo tudo fosse a cena de um filme e que o diretor gritasse “corta”, em meu consciente só a memória de minha mãe.
Ouvi sirenes, consegui escapar, não era comigo, mas fui usada como escudo, o que vale a minha liberdade de andar nas ruas do meu bairro?
Ao encontrar minha mãe, parece que tudo se clareou e aquilo não passou de um filme de ação qualquer que nem foi ao ar.
Não sei quem era e não sei quem procurava, mas é algo que ficara em minha memória.
Raquel Santos

Desço do ônibus para dar início a um novo dia, comum para muitos. Curvo um beco e começo a descer os degraus da escada, me recordo rapidamente de quando pisei aqui pela primeira vez, a irregularidade das casas, a sua aparência que a princípio me causou medo, era muito distante do que um dia pensei vivenciar.
Não faz muito tempo que aqui cheguei, porém reparo detalhadamente em algumas mudanças. Muitas construções novas, casas que cada vez mais aumentam de tamanho, diversos terrenos agora habitados e ruas de pedra que cada vez mais se estreitam.
Suspiro fundo, cheguei ao último degrau, minha casa já pode ser vista. A tranquilidade que sinto nesse local de tantos relatos negativos é inesperada e me faz concluir que aqui não é tudo o que um dia me descreveram, é simplesmente o que é.
A POBREZA É UM PERCURSO QUE NUNCA TEM FIM
Fernanda Dias

Todo dia é dia de refletir sobre a vida… Numa manhã ensolarada, eu, deitada em minha cama, olho para o teto do meu quarto e começo a pensar sobre o bairro onde vivo. Pretendo escrever algo que faça o ser humano refletir sobre a vida.
Vem em meu pensamento uma história que meu tio contou sobre o bairro, um relato de extrema miséria aqui, desperto do transe e resolvo sair para passear, em passos pequenos sigo meu caminho.
Observo mais o local por onde eu estou passando e uma cena chama minha atenção, uma senhora em prantos conversa com uma moça, reparo mais e posso ver a moça colocando em sacolas vários tipos de alimentos, chego um pouco mais perto e posso ver a moça dando também um trocado à senhora, rapidamente passa um flashback em minha cabeça, lembro sobre o relato do meu tio, um relato que não me parece tão distante.
Passei a acreditar que ainda podem existir pessoas com o coração bom, como por exemplo Dona Ilda, que ajuda as famílias doando cestas básicas, talvez eu seja essa moça amanhã.
“Aqui o sol não brilha para todos, mas tem sempre alguém disposto a compartilhar a própria luz “.
INVASÃO OU NÃO?
Karen Santos e Fabrícia Santos

1° de Agosto. 6:12 da manhã. Eu observava o sol nascendo. Pessoas saindo pra trabalhar. Aliás, muito deferente de antes, quando não tinha ônibus nem escola. Estava com pressa para ir à escola. Até porque estava tendo uma oportunidade que minha avó não teve e tinha que aproveitar.
Parei por alguns minutos para observar. Havia muitas pessoas conversando sobre umas construções aqui perto. E muitos que já moravam ali começaram a reclamar, xingar. Continuei atenta. A Dona Maria parecia indignada.
Então me lembrei de uma história que minha avó havia me contado. Que o Palmital era uma grande fazenda e as casas eram todas aquelas casinhas da Cohab, eram invadidas e minha avó mesmo havia invadido uma dessas casas.
E toda aquela conversa me pareceu contraditória.
Então deixei eles lá com suas preocupações.
Opa! É 7:15.
A LIBERDADE
Shara Vitória e Giovana Paulino

Era fim de tarde, o sol estava indo descansar, e nas ruas do bairro o perigo da noite vinha chegando e o movimento de pessoas ia diminuindo.
Uma garota caminhava, olhava para os lados, o medo e aflição tomavam conta do seu coração, ela para.
E olhando para frente se depara com um beco, neste havia um homem, eles se entreolham, como se já tivessem se visto antes, um certo silêncio toma conta do local, de repente um pássaro passa voando e atravessa aquele beco livremente.
Ela ainda parada pensou e tomou o caminho oposto daquele
Pássaro.
Seria a liberdade real para todos?
A VIDA DE UM FAVELADO
Kauany Santos e Rayara Souza

Aconteceu, mais uma vez.
Levantei cedo, me vesti com as minhas melhores roupas, tomei meu café, comi o que tinha, fui atrás de algo melhor.
Era uma entrevista de emprego, eu esperava na fila para ser entrevistado por alguém que sequer me conhecia, minhas mãos estavam trêmulas e úmidas, fiquei esperando que chegasse a minha vez, chamaram um, chamaram outro, então me chamaram, eu entrei na sala e com um aperto de mão cumprimentei o homem que me entrevistaria, me sentei, por um rápido instante o encarei, era uma sala simples, toda branca, em cima da mesa havia uma caneta e um bloco de papel rabiscado.
Então começou, algumas perguntas leves, nada demais, no meio delas uma esperada, mas eu não sabia o que responder. Onde você mora? Moro no conjunto habitacional Palmital, minha voz estava trêmula, percebi que o entrevistador havia franzido a testa, ele anotou algo no bloco, e não disse mais nada, além de que a entrevista havia terminado.
No caminho pra casa, comecei a perceber as coisas, como realmente são, uma família que doa alimentos para os mais necessitados, tudo o que acontece aqui, trocado pela imagem de uma área conflagrada, área que só oferece medo, nada mais, e a realidade que só nós sabemos? A realidade alternativa da favela, uma realidade desconhecida por muitos que apenas quem tá aqui, dentro de tudo, no meio do olho do furacão, pode ver. Percebi que talvez não valeria a pena, eu já tinha passado muito por isso, era só mais uma vez e certamente não seria a última.
A PRIMEIRA CRÔNICA
RSV
No fim de tarde, ao descer do 4415, começo a andar pela avenida, olho paisagem e casas irregulares e sua iluminação amarela, lixo jogado no meio da rua e vendedor ambulantes .Sento no banquinho e começar a pensar como escreveria minha primeira crônica.
Sinto em mim sentimentos de paz e de preocupação.
Veio em mim uma lembrança, como se fosse “A última crônica”. Olho para o lado, tranquilo.
Vai subindo o morro uma senhora de idade, vestimentas simples, chinelo nos pés, cabelos brancos, amarrados por uma buchinha preta, em suas mãos sacolas de frutas, olhar arredio, tímido, deixa as sacolas no chão, cansativa e exaustiva caminhada.
Uma criança machucada, mal vestida, para, olha discretamente para ela, olhar penetrante e reflexivo, pergunta:
– Gostaria que ajudasse?
A senhora entregar as compras em suas mãos e elas começam a subir o morro, durante o percurso um e outro olhar discretamente.
A senhora agradece com um doce, a criança sai saltando de alegria por seu primeiro alimento no dia, chegando ao local – pracinha da Savassi, divide o seu doce com amigos.
Assim eu queria minha primeira crônica – pura e bela como esse olhar.
O PONTO
Lincoln Henrique e Patrick Souza
Era 6 de agosto de 2018, às 14:04, eu estava apressado para dar partida ao trabalho de português, tinha que escrever um texto, mas não era qualquer texto, era um tipo de texto que eu tinha que olhar mais ao meu redor do que na minha frente.Na espera do ônibus algo chama minha atenção. Parei para olhar, vi um senhor, apavorado, com os dois homens “perueiros”.
Discutindo eles disputavam quem levaria o senhor até seu destino.
São aqueles perueiros que perante a lei estão trabalhando ilegalmente, mas é esse trabalho ilegal que coloca o pão de cada dia na mesa deles.
No mesmo instante o transporte público chega para pegar os passageiros, e o senhor, sem que ninguém percebesse, entrou no ônibus, já não tinha mais coragem de ir com eles. O trabalho continua.
ORQUESTRA
Marcos V. Caetano

Em uma tarde qualquer de semana, os raios calorosos do Astro Rei infestavam o clima limpo de mais um dia desperdiçado com atos fúteis. Meu corpo se repousava sobre o frio banco de concreto da pouca movimentada praça. Toda minha atenção era tomada pela intrigante e longa história do livro aos poucos lido, meus olhos gravavam com atenção cada palavra visualizada, enquanto minha fértil imaginação moldava o cenário. Após o tempo voar, finalizo minha leitura, o protagonista cumpre com êxito sua Jornada Do Herói, encerrando o último verso com uma frase que abalou as estruturas da minha mente.
Me paraliso sem motivo, meu centro de comando concentra seus esforços para decifrar o enigma criado por ele mesmo. Meus olhos pareciam câmeras, gravando e analisando o cenário ao meu redor: A vida ocorrendo de forma insignificantemente feliz, onde pessoas julgadas como descartáveis são largadas à própria sorte, vivendo entre violência, desigualdade e preconceito, tendo como resultado o que foi plantado: violência, desigualdade e preconceito.
Meu centro de comando aos poucos une as peças do enigma, parecia perto de decifrá-lo, mas, impedindo-me de cumprir meu objetivo, se iniciou. A luta dos projéteis que voavam sem rumo para destruir tudo em seu caminho tomou conta do local, como se uma orquestra de projéteis fosse iniciada. Meu corpo se move sem meu consentimento, corro com desespero em busca de segurança, enquanto a orquestra parecia longe do fim. Sem motivo aparente – talvez curiosidade –, olho para trás, gravando a cena na memória: Dois jovens maestros, trajados como músicos do crime, lutavam pelo controle da orquestra de projéteis. Viro meu rosto e sigo meu trajeto de medo e desespero, bom, parece que terei que adiar minha conclusão.
UMA CRÔNICA DO PASSADO
Raissa. M e Beatriz. M

6:30 da manhã do dia 8 de agosto de 2018, estou me arrumando para ir para a aula, paro em frente a janela do meu quarto e vejo essa vista do bairro Palmital, a essa hora aproximadamente muitas pessoas estão indo trabalhar ou estudar. Desço o morro e vejo um velhinho indo para a padaria conversando com uma senhora, passo do lado dele e algo que ele fala me chama atenção “olha, Maria, aquelas crianças indo para a escola, lembro que há uns anos isso talvez não acontecesse…”
Acabo de ouvir isso e fico pensando em como era aqui antigamente, e vem em minha cabeça uma lembrança, não muito boa. Eu tinha uns 10 ou 11 anos, estava estudando no 5°ano, já estava no finalzinho da aula, quando noto as lojinhas na frente da escola fechando antes da hora, achei estranho, mas, tudo bem. Após um tempo, escuto umas conversas lá embaixo, vou na janela e vejo um carro de polícia e uns caras armados indo para atrás da escola, e logo em seguida os polícias indo atrás deles. Nessa hora a professora colocou todas as crianças em um canto da sala que não dava para ver lá fora. Depois de um tempo liberaram a sala toda.
Relembrando isso, vi o quanto aqui era triste, as pessoas não tinham paz, muito menos as crianças. Estou a caminho da escola e me pego em outro mundo por causa dos meus pensamentos e me perguntando: e se continuasse daquele jeito? Como estaria o bairro? Como ele seria visto pelas pessoas de fora? Estou definitivamente perdida em meus longos pensamentos, quando o sinal bate, vejo que estou atrasada e rapidamente volto para a Terra. Passo do portão da escola e vejo duas crianças brincando no pátio, alegria e paz, as palavras que descreveriam o momento. Talvez a cena dessas crianças brincando livres no pátio seja o significado de paz.
VOLTANDO DA CASA DA VOVÓ
Carolaine Ferreira e Breno Ramos
Era um domingo à noite, voltávamos da casa da vovó.Na volta para casa, desci do ônibus e houve um movimento estranho, pessoas andando na direção de suas casas com um semblante de desespero.
Me sentia paralisada enquanto tudo acontecia, e me conscientizei de que era algo mais assustador do que ver pessoas correndo na direção de um abrigo.
De repente sinto um alvo em minhas costas e um cano nos meus olhos. Tudo muito rápido, eu com o coração a mil, só queria que aquilo tudo fosse a cena de um filme e que o diretor gritasse “corta”, em meu consciente só a memória de minha mãe.
Ouvi sirenes, consegui escapar, não era comigo, mas fui usada como escudo, o que vale a minha liberdade de andar nas ruas do meu bairro?
Ao encontrar minha mãe, parece que tudo se clareou e aquilo não passou de um filme de ação qualquer que nem foi ao ar.
Não sei quem era e não sei quem procurava, mas é algo que ficara em minha memória.
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